Categoria: poema
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ESCAFANDRISTA E BORBOLETINHA
Biarritz esfuma-se nos teus olhosComo a espuma do mar revoltosoRecolhes do frio o éter dos diasE peneiras a tua sorte por entre as brisasUm tão iluminante declive de rochasEntretém a tua vista desarmadaSonhas escapar e quebrar-teEm milhares de gotas brancasObliteras numa termos o rumAntes do chá, e depois do café.Desinfectas em novelos de percepçãoA tua…
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Estive suplantado num palanque Atravessado de fio a pavio Pelo descontentamento perene Depois do estouro Rebentado Pelo poema à duração Sei que é bem mais Adoração que outra coisa Existem vários temas de discórdia Mas a mão toca sempre na parede No botão que acende a luz E apaga a dispersão.
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Rebaixamento agastadoFaz fundir faces em fasesUma mancha redonda de ignorânciaAfastada temporariamentealagada eternamenteEm silêncio, sílabasDe descarrilamentoUrdidas em mantilhasEm media res o pensamentoNão tenho grafia. Só uma agonia.Não tenho esquema. Só um poema.Qual deles verificado.Qual deles versificado.
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PRIVA A CIDADE
Pudesse eu dizer tudo o que queria E jamais à vida voltaria. Porque nessa protuberância insone Nasce a revolta enorme. Frugal distópica apoteose De sentidos. Como bilhetes Esquecidos. No banho tépido Da absolvição. Pontes movediças de irresoluta declinação. Servem as frases de fases da lua, astrodinâmicas provocações. Insolências no divã de certo careto reto. Ou…
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Não gostes deste poema
Seguirás para sempre As dicas dos manuais de instruções Escaparás ileso a diálogos compassivos E entregarás em fel de espato O espanto de acordar No chão espatifado Dado às lamúrias de rua Aos rituais de ortografia.
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Acabrunhado
Querer ser o guarda da velha propaganda Um pilar de artroses em garraiada Como quando te baixas e mimetizas A terrível inconstância vulnerada Que precipícios te restam agora A batucada da madrugada Um poema-ato inviolável Inquebrável como o degelo do vórtice Da consciência. Refluxo meridional De crimes planeados. Indivíduos marcados Desluzindo clarões de aborrecimento Embrutecimento.…
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Odor a gasolinaOdor a eucaliptoUma dor que sucumbeNa ínfima erosãode um gritoFogo que acendes tuFoge que acendo euDados controladosPelo controlo de dadosQue jibóia na placentaQue alma não rebentaQue dança nessa valsaQue tango nessa salsaUm molho negroUma seiva esbranquiçadaDás-me vasos eu quero plantasDou-te versos tu queres mantras.
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Uma dramaturgia da violência. Inteiramente dado e do avesso revirado Retirado em medidas vás Por tempo indeterminado Ou luras e furas Em besouros e gruas Atípicas inquietações Veneráveis veraneantes Oscilantes muralhas Levitantes do céu na terra Divagantes penumbras De sonhos escancarados Pesadelos interrompidos Ou ciclos avançados De um episódio aborrecido.
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amar a inconstância rocambole de bolero exausto enxuto asfixiado como tripas como quem ama cada tal protuberância agir em consonância com a devida elegância gritas extravasar em poros partículas de circunstância de um reboliço metediço cartomante de feitiço viandante da ganância recobre eu cubro limites limados ora avança, ora recua cura crua errância.
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VERDETE VIVO
A ver o verdeVerdadeiramenteVeementena expectânciada vida expostavirada do aversoanverso avessoo retrocessoa vê só aoster não postosimpositivosinvertidosacusativos feixesde luz verdecurativosvocativosvermelhosmagentaarroxeadostrocadosmal traduzidosmelindradosfalsamentedepositadosem dispositivosinexpressivosainda quesucintamentevivos.