Categoria: poema

  • Mensagem Lusitana

    Dois rostos, um povo, duas obras, uma língua, duas épocas, um país: Portugal, da raiz aos frutos. Ambas as obras, “Os Lusíadas” e “Mensagem” têm como pano de fundo a história de Portugal, evocam heróis nacionais que são elevados ao estatuto divino e permanecem muitos deles conservados até aos nossos dias através de lendas ou…

  • Chamem-me João!

    Súbito desencontro Adornado a preceito Pela palidez enrugada Do povo insatisfeito Firme sombra trespassada Vozes que dançam em redor Da pintura sem cor Plutão que guia na escuridão Seu discípulo desconcertante Não o chamem de arrogante Chamem-no de João.

  • Caneta Divina

    Engenhos empolgantesCavaleiros do zodíacoDourados semblantesEntre o pecado afrodisíacoE as preces entediantesDo mundo reescritoNas linhas do horizonteUm colossal monteDe acesso restritoBriga tão infinitaConsoante o venenoNos seus corpos se agitaO mal escapa, o bem gritaVacila mas alucinaA triste humana sinaTraçada aos solavancosPor uma caneta divina.

  • Bem ou Mal?

    Pressinto que o bem Reside na luta contra o mal Ambos deambulam no imaginário De todos e de cada um São parte indivisível Duma porção da felicidade Divagam corrompem-se De vaidade e crueldade São infiéis aos próprios fiéis Aos temerosos crentes Não deixam que lhes libertem as mentes Mentem, sentem e prendem Aos pérfidos preconceitos…

  • Suicídio Digital

    Lentes bifocaisÓdios dissabores taisCausam náuseasAs luzes psicadélicasAs armas bélicasRuptura profundaCom os pixéisQue me constituemCom a memória RAMQue me atraiçoaSou uma teia de clichésUm monitor sem computadorUma bateria sem carregadorSou o turbo desconectadoDo amor.

  • Esboçando palavras mortas As siglas indecifráveis, Nos confins das mágoas As visões indefinidas As conexões alternativas Todo um fluir interrompido Um pequeno comprimido Que estoira o corpo A um bom amigo O cega totalmente Deixa-o incapaz, impotente Para se soltar no vazio Ecoar gritos de euforia Fria, cru, jovial Escuta o som do deslizar Das…

  • Insólito

    Neurótico, some-seEsfuma-se escapa-seDas encruzilhadasVive afogado em simplesE meras mágoas Corre o riscoDe ser riscado pelo destinoTraçado ao meioDesacreditando no divino Insólito indivíduo mórbidoJaz o seu fraco esqueletoNo ar, no silêncio dum beco.

  • Autómato

    Nutrido mecanicamente Pela eléctrica corrente Que humedece e estende Em torno da minha mente O fósforo que apago E que se acende quando divago Me surpreende e nele electrifico Todo o meu ilustre pensamento vago Sou fio condutor do abismo O profundo cabo que se rompe E culmina num cataclismo Eléctrico, magnético, frenético Todo o…

  • Doar a Dor

    Dilacerar as portas da alma Sangrar e lacrimejar Sofrer e esquecer Os esqueletos pecadores As lactentes dores No murmúrio do anoitecer O prazer, na parede escrever Um grito sussurrar E não, não morrer já Só desaparecer, Quando por mim toda a dor Que tiver se doar.

  • Outono

    Outono que és meu, O barco parado A folha que morreu Sou eu, és tu delicado As sombras esvoaçantes As lágrimas singelas Da chuva que com ela Molhas as copas alaranjadas Das árvores, das mágoas De tais memórias resguardadas És fumo e fogo na pintura Que de laranja e cinza, É pintada nua e crua.…