Categoria: poema
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Flor da madrugada tenebrosaIncendeia o quício da gotejantePorta acorrentada da penumbraCeleste rasga céus gelatinososTêmporas víboras vinagradasSuor libidinoso de naifadasRecém projetadas. Sepulcro esfinge.Dúbia vacinada. Pinga,A pele tinge.
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BOTANIQUICES
Refúgio premeditado de indolência frívola Canito amedrontado nos florais canteiros Abandonado ao repouso do dono Passarinhando no lago fátuo Mergulhando as carraças num esgoto Maldito esgoto temperado, afogadas jazem Nas intermitências aquáticas as rãs e os sapos Afligindo o limão intacto nas paredes transparentes Do temeroso líquido vácuo.
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AO SUJEITO ENLOUQUECIDO…
Dromedários clíticos amedrontados Diletantes evasões corrosivas Divagações ultrajantes afirmativas Povoai-me de abrigos desnecessários Falsidade confinada a afinar O guizo fulminante, de escasso verso De sorriso posto…entre o céu E seu rosto desnudo por lapidar Mostrengo celular jazigo Morte anunciada comigo Mudo cílio desprovido.
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Inter Lúdico
O desplante convidado a sentar à mesa, com a razão surpreendente do congénito absurdo que deambulava de mãos dadas com a ironia uma vez mais à luz do doce dia. No consórcio dos imorais, regem-se os mortais suplantados, na semente do pecado, amortizando a queda, na asa-delta do prazer depravado. O sorvo da humanidade é…
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Supositórios avulsos Agendados os limbos As fissuras lascadas Indigestos filamentos Entrecruzados Nas medusas atiçadas Do caótico afluxo Adicionado ao vigiado Vigário nauseado.
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AH SINA DA HUMANA DISCREPÂNCIA UMA OBRA REPLETA DE MÚLTIPLA ARROGÂNCIA DEJECTOS ESTROPIADOS DE RELUTÂNCIA AFINA NAIFA FAINA ENTRE OS RICOS E OS POBRES VIVEM OS CALHORDES SINTA FINTA MINTA PINTA TINTA A PINTA DOS RICOS A FINTA DOS POBRES OS DEJECTOS DOS RICOS OS CALHORDES DOS POBRES SINTA OS RICOS E MINTA AOS POBRES…
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Volúpias FARPAS
Bastardo inglório Sombra divina Descarregada Na latrina Volúpias, farpas Com que os azucrina Esquentas a enxaqueca De quem por pensamento Peca!
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Cidade Esfumada
Respirar o ar da cidade E escutar os esfumados Ruídos dos canos de escape Escapar ileso a um engarrafamento Ser o mártir dos olhares desviados Entre as curvas, os buracos do tempo Mal parado Travagem a fundo Eis que se fura o pneu Do carro Além um grito E vozes solúveis na poeira Correm em…
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REFLORIR
Una é a realidade Estilhaçada, sedimentada Na transição leve e velada Da projecção do eu Para uma outra dimensão Caótica desconcertada Muito mais limpa E embora asseada… Permaneça contida Esfriada pela absolvição Da razão, enlameada Pelos meandros da elocução Somos vozes loucas Sem sombras surdas, Capazes de alguma fruição.