Categoria: poema
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VIOLÊNCIA FRÁGIL
Quando tremem as pedras de ansiedadePorque o nexo não faz sentidoE as peças são só palavras. O verso um ruído. Um poema a sobriedade.De estilhaçar o vidro. As imagens são sempre as mesmas. As colunas repetidas,as linhas ofendidas. Que narrativa cheira a vinagre…Quando não há linhagem correspondente à tua saudade.Lotadas de fissuras as dobradiças da…
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Onde houver dia
Haverá vida.Sair de casa: (Como quem chama por mim)Sentar no centro da eiraEsperando a evasão estreitaDa corrente seita de bombosLogros e assombros Mal despedidosCorta-e-roça. Alista-te com pressaafinco e zinco e raspa-te no trevo da sorteQue te tape o sul para descobrires o norte.Prega então aos teus refugiados ensejos.
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Perdi meu amor para a airbnb
Não pode parar de chover dentro da minha cabeça. Como se traduzisse a vexatória alucinação pela palavra trevo (da sorte) Como as algas secas no quimono escuro E nessa estagnação propensa ao delírio tu fosses A brancura inexpressiva da amargura. E nesse circular ininterrupto de cadências torrenciais Entalar a alma na trovoada Me suplicasses a…
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Estar para lá de fechadoDentro de mim mesmoGotejando lentamente comoum murmúrio de folhagemdivergente. Assentar na nuvem o vértice.– Desastre natural! Vertendo sobre o sol postoA luz que oculta a pinhaO voo inanimado do avião, do pavãoTal e qual a sombra ressentida pela brisaO que uiva lá onde váA quem ascende e não sabe onde estáNão…
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SUPER FA CIAL
Uma espiral de conhecimento arredondada difusa dispersa Palavra amável, para quem de direito dá à língua mais o véu de vento Em pose discreta vozes silvando em tempo precedido de amoras Blasfemar códigos devolutos em pirâmides inclinadas na glande Serrote abrindo fendas na pele Dura ácida. Praça com veias azuladas Coxear no instante que remedeia…
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ber lin do
Como se estivesse dentro de uma cápsula invisível. O tempo fosse uma capa de enigmas desfeitos. Estou em Berlim ou em Bombaim… Na chama árida de um frio ardente consumado até à nesga sombra de um tanque de combate. A guerra sempre se encontra quando se procura a paz. Em Berlim num restaurante de street…
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Só focas Sufocas Si focas Sufoco A vida não é prazer, é uma sufocação inevitável de delírios esquisitos. Como se derivasse de uma incompletude divinamente subscrita. E todo esse interregno de espera até à morte fosse um endividamento repleto de jogos de palavras cruzadas.