Categoria: poema

  • Troça

    Alvo fácil da pressa, da poça dos bois à frente da carroça da passa do Algarve nunca fora da validade alarve de coisa nenhuma ou de tudo em toda a parte a arte de desmontar o precipício em pedaços reclináveis de conforto o gérmen da mudança ancorada no hospício.

  • Borboleta branca no pé

    desmantelar corpo deste mental corpo branquear a mente a sopro de gente alegoria de dismorfia assim de amorfo encorpada mente

  • Para onde estava a olhar?

    Para um lugar que não se vê Quero explorar a latência Que concorre E compensa Em volume e presença O ideário idealista Da compressa Que envolve em penitência O sujeito sujeitado ao delírio delirado Não descobrir tudo Nada a tapar o entulho A sombra sombreada Do orgulho

  • Poema mal feito

    Que nem me apetecia ter escrito Até que gostaria de escrevinhar a preceito se para tal tivesse jeito só me saem em soluços estes versos convulsos sou rídiculo e absurdo mais um transeunte embasbacado com o desfile do poema abana-se tanto o mamarracho sabe escapar por um triz do diacho seja lá de que língua…

  • Acer negundo

    Digite o código que caracteriza a inteligência a sua ou a de uma árvore ancestral aproxime veemente o laço das raízes ao pedúnculo mais profundo enterrado na subconsciência desvendará em subtis subterfúgios as correntes fugidias de energia as conexões de sinapses entre os seres dissolvidas num espaço-tempo advindo suplantado primordial erradicado da realidade palpável.

  • Inexploradas vielas dos sentidos

    Retomamos o menu de sempre  Percorremos no olhar um do outro o que sentimos Sem trocas nem descontos  O suor e o silêncio  Demasiado tempo intocáveis Comovidos perante o vidro  A indiferença  Ronda sem dar tréguas De esgravatar no vazio  O delírio da rotina  Teima em ficar Ao cabo dos dias A tomada da noite…

  • Goblin mode

    Depois vou amanhã para o Porto Uma axila se dissolvendo num meteorito Venho amanhã do Porto de pele de pleonasmo de granito Volto na sexta-feira para o Porto desbravado, febril, arruinado na montra o algodão congelado Retorno no sábado.

  • Poema de bolso

    Arritmia oxímoro oxidado Escombros repletos de sucessos Ou malabarismos de retrocessos O tempo mirado com desalento Ou a ternura fria a qualquer altura do dia O recobro acicatado A denúncia proliferada Pérfida e indevida Motor propulsor de injúria Como o torpor de uma espingarda Um código de repouso Para pousar a arma Ou alvoroço causado…

  • Liquidambar

    Copta refletindo o juízo Fléxil polissemia latente decorrente ou ebúrneo chave-mestra destra ou pederasta de que socorre sacundindo o nome ao fumo fundo do defunto batizado liquidado conservo um prego encravado.

  • En Vau

    Vou vou estou estou no limiar da presença no limiar da ausência num ponto terrestre de displicência vendo retalhos de sonhos à sobremesa uma posta um naco de vitelo em banho maria de porcelana até rachar a cabeça ao meio bocados de neuroses desenrolando em novelo.