Atestado Anti-Escrita
Hoje não quero escrever
Só escrevo amanhã
Amanhã de manhã escrevo
Se puder ter a caneta
Ao pé do papel
E sombra do cometa
No céu da noite
Se der para o fazer
Se não for por obrigação
Se não estiver a doer
Empunho o lápis,
A esferográfica, o giz,
O crayón o que tiver que ser
Para ter letra a letra
A sopa cozida
Com tempero de lengalenga
Misto de luxúria e incerteza
Quero me extinguir
Numa frase inviolável
Descalço de predicados e objetos