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2026.09.10 / fragmento

Atestado Anti-Escrita

Hoje não quero escrever

Só escrevo amanhã

Amanhã de manhã escrevo

Se puder ter a caneta

Ao pé do papel

E sombra do cometa

No céu da noite

Se der para o fazer

Se não for por obrigação 

Se não estiver a doer

Empunho o lápis,

A esferográfica, o giz,

O crayón o que tiver que ser

Para ter letra a letra

A sopa cozida 

Com tempero de lengalenga

Misto de luxúria e incerteza

Quero me extinguir

Numa frase inviolável

Descalço de predicados e objetos

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